
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (13), uma operação para investigar o desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares que deveriam ter sido destinados a um hospital em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
Embora os nomes dos envolvidos ainda não tenham sido oficialmente divulgados, apurações preliminares indicam que um dos alvos é Lino Rogério da Silva Furtado, chefe de gabinete do deputado federal gaúcho Afonso Motta (PDT). Furtado era responsável pela organização da distribuição das emendas parlamentares.
Outro investigado é Cliver André Fiegenbaum, diretor administrativo e financeiro da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan). O papel específico de Fiegenbaum no esquema ainda não foi esclarecido.
Além deles, a operação também mira outras cinco pessoas: Gilberto Gobbi, Celcio da Silveira Junior e Leandro Diedrich, que possuem vínculos com o Hospital Ana Nery, e ainda Agnaldo Machado Ferreira e Carlos Danilo Wagner. A equipe de reportagem tenta contato com os citados para obter esclarecimentos.
O deputado Afonso Motta, por meio de nota oficial, negou qualquer envolvimento e afirmou que nem ele nem seu gabinete foram alvos da operação. O parlamentar destacou que foi surpreendido com as investigações e que está em busca de acesso aos autos para compreender melhor o caso e se manifestar adequadamente.
Conforme as investigações, o grupo envolvido na fraude ficava com aproximadamente 6% dos recursos destinados ao hospital.
A operação inclui o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão, distribuídos entre Brasília e cidades gaúchas, como Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires, Estrela, Lajeado e Rosário do Sul. Os crimes investigados são desvio de recursos públicos, corrupção ativa e passiva.
Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento de dois servidores públicos de seus cargos, além do bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Em uma das diligências, os agentes encontraram celulares e quantias em dinheiro escondidos no forro de um imóvel.
Os mandados foram expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, no contexto de uma ação que busca desmantelar o esquema de corrupção e garantir a correta aplicação dos recursos destinados à saúde pública no estado gaúcho.